terça-feira, maio 10, 2005

Quando eu falei que assassinava canções, eu não estava brincando. É uma versão livre de "Whiter Shade of Pale".

Este clássico eu profano
Pra lamentar o meu engano
De ficar na sua pista
Ando exagerando na bebida
Com a personalidade dividida
Sapo não namora a lua
Nem anda na mesma rua
Você estava linda na avenida

Não tenho paz
Desde o dia em que eu te conheci
Eu estou tão perturbado
Sem saber aonde ir

Já passou quase todo um ano
Eu parei de fazer planos
Vou seguindo pela vida
Maltratando outras meninas
Todas têm o mesmo defeito
Nenhuma me olha do seu jeito
Do jeito que você me olhava
Sem dizer uma palavra

Mais excessos

Placar de ontem (fora a garrafa de vinho do almoço do dia das mães):
Duas horas de cerveja: mais ou menos 2 litros
Inconvêniências: vários comentários e uma séria indiscrição.

Nas horas vagas


Pecus gosta de assassinar canções indefesas

segunda-feira, maio 09, 2005

Blá, blá, Bach...

Quando ouço Bach me parece identificar resignação com a condição submissa que o artista assumia frente ao mecenas, e ao mesmo tempo alegria tranqüila de quem está em diálogo direto com o Criador através da sua arte elevada, o que o ajudaria a ser condescendente com o pobre monarca. É uma perspectiva barroca, de gente pressionada na terra, que se volta para o céu. Para contraste, Beethoven, quase romântico, é arrogante e inconformado, e pressionado na terra se volta contra os homens. Adorei o versátil Gary Oldman, que já havia sido Sid Vicious, como Beethoven, em “Minha amada imortal”. A cena da sonata Kreutzer é algo. A cena em que a surdez é revelada, também. Vestimentas apolíneas para o jorro dionisíaco. Ode à Alegria!

sábado, maio 07, 2005

Incontinência verbal

Sinônimo de logorréia ou seja discurso acelerado, profuso e não moderado que pode estar associado em alguns casos a patologias do foro mental.
Placar de ontem: 8 chopps e um uísque
Comentários inconvenientes: pelo menos 1 terrível
Acabei "A noite do oráculo". Como sempre, o escritor rasga as páginas do livro no final. Rasgo o livro?

quinta-feira, maio 05, 2005

Lidos

Agora, "Bagana na chuva" de Mário Bortolotto e "Notas da arrebentação" de Marcelo Mirisola. Iniciado "A noite do oráculo" de Paul Auster, e ao que parece, vai pelo mesmo caminho dos outros. Um livro só, reescrito muitas vezes.

Sonatas e partitas

Pra quem gosta das suites de violoncelo, tem também as sonatas e partitas para violino solo. Zeno, o personagem de Italo Svevo, é suplantado pelo rival que acaba por ser seu cunhado. Este impressiona a moça cortejada por Zeno tocando a famosa chacona que está entre essas peças. Zeno, também violinista, nunca conseguiu tocá-la direito, e fica com a irmã mais feia (Partita para violino solo No. 2 em ré menor, BWV 1004, "Ciaccona").

Limites

quarta-feira, maio 04, 2005

Existe

PROGRAMA GESTÃO DO LUXO - PGL MBA em GESTÃO do LUXO - FAAP
O MBA em Gestão do Luxo é uma experiência pioneira nas Américas. Destinado a profissionais com sólida formação universitária e reconhecida (5 anos) experiência profissional, visa capacitar o participante nas principais técnicas de gestão dos chamados "bens e serviços de Luxo", que poderão ser utilizadas neste segmento ou em qualquer outra área onde exista a necessidade de focar a gestão em segmentação de mercado, posicionamento, fidelização de clientes e sofisticadas estratégias de qualidade e marcas. Com duração de dois anos e início da terceira turma previsto para fevereiro de 2006, o curso é desenvolvido a partir de três grandes eixos temáticos: O Universo do Luxo; A Gestão de Luxo; A Estratégia das Marcas e Corporações de Luxo. As aulas são aos sábados e o curso terá 468 h presenciais, 80 h remotas e 40 h de orientação da monografia final a ser apresentada pelo participante, perfazendo um total de 588 h. A seleção da próxima turma será efetuada no início de 2006 através de análise de curriculum e entrevista. A ficha de pré inscrição estará disponível em novembro de 2005, no site Gestão do Luxo. Após o preenchimento e envio desta ficha, aguarde um contato por telefone/e-mail. Atenciosamente,
Prof. Silvio Passarelli
Carlos Ferreirinha
Diretor da Faculdade de Artes Plásticas - FAAP
Coordenador do Programa Gestão do Luxo - FAAP

Palpite infeliz

Placar de ontem: 8 latas de cervejas
Comentários inconvenientes: 6

terça-feira, maio 03, 2005

Violoncelo

Está se falando muito no recital de Antonio Meneses tocando as seis suites de Bach para violoncelo, com as introduções brasileiras. Há mil anos ouço as do Rostropovich, e até vi o cara tocar uma ou outra no Cultura Artística. A versão do pobre Casals, amigo do Picasso e daquela turma que aparece no Modigliani*, que as tirou do ostracismo, é vista como romântica, exagerada nos vibratos, comprida no fraseado e assim inadequada. Parece que os românticos tendem a emendar as frases mais do que fariam os barrocos, alongando-as além da conta, matando sua respiração. O próprio Meneses já avisou, pra não lhe encherem o saco, que sua interpretação é pessoal. É pra quem pode. O espetáculo de um sujeito, tocando o violino gigante, sozinho, com aqueles movimentos enormes, vigorosos e agéis, tirando aquele sonzão encorpado, é de meter medo.

*Ô filme falso, que divide o mundo em pintores que vendem e não vendem, que inventa uma competição ridícula entre eles, e reduz o herói a um trouxa que tenta resgatar a "honra" da mulher com uma certidão de casamento...
Haloscan commenting and trackback have been added to this blog, e me fez perder os poucos e bons comentários que eu tinha.

Pecus voa

Quando eu era moleque, a minha casa era no alto de uma ladeira, e meu pai tinha plantado na sua frente, sem muita conseqüência, um pé de pinus, que cresceu rápido e enorme. Eu sei que numa daquelas intermináveis tardes de bundação, quando deveria estar fazendo a lição, olhando aquela árvore percebi que de um certo pergolado, eu poderia subir nos primeiros galhos. Dos primeiros galhos notei, meu, a árvore era uma escada! Fui subindo com alguma velocidade e com certo frio na barriga, parando de tempos em tempos para sentir as cargas e a resistência da estrutura, e constatei que o enorme caule (nem dá pra chamar de tronco) era incrivelmente flexível, e oscilava como uma vara. Quanto mais eu subia, maior era a amplitude do movimento horizontal de balanço, até que cheguei ao que me pareceu o mais alto possível com alguma segurança, os galhos da espessura de varas. Devia estar a uns quinze ou vinte metros de altura, e a árvore era um pêndulo lá em cima com uma amplitude de uns dois metros, o que era imperceptível lá de baixo. Saí pra fora da copa, e a vista, a sensação, eram incríveis. O balanço era causado pelo vento, que tensionava a árvore como um arco, até o ponto em a mola vencia a pressão e arremetia, gerando um movimento rítmico (mhs?). E era demais olhar pra baixo e perceber aquele longo tronco se curvando, para um lado e depois outro. Tornou-se um hábito. Até que a árvore ficou inconveniente, o vizinho reclamando das pinhas e agulhas, a calçada rachando, atrapalhando as espatódias, e foi cortada.

Gerhard Shnobble, Spirit, Will Eisner, 1948

segunda-feira, maio 02, 2005

Vicia?

Levei trabalho pra casa esse fim de semana, e como todas as vezes que faço isso fiquei embaçando e sofrendo na luta contra a preguiça, o bom e velho inferno particular. A cada pequena distração ou interrupção do raciocínio: blog. Esse negócio é uma verdadeira draga de tempo. Entra-se por aqui, vai-se para lá, e é fácil perder-se nesse labirinto sem fim. Amarrei o meu fio de Ariadne no frankamente e no carne crua, meus referenciais acidentais desde o início, e devo ter feito os seus sitemeters pularem um pouco. Fui parar na casa do cacete (legal esse). Blog vicia? Os defensores da discriminalização da maconha dizem que a droga não dá dependência física. Acredito que não faça a menor diferença quanto à nocividade do vício, mas talvez facilite um pouco o abandono. Fumei muita maconha quando era moleque e hoje percebo que isso me atrapalhou bastante. Fiquei estagnado uns três ou quatro anos, sem reconhecer o vício, e acho que saí meio por acaso. Parei de comprar, fui pro simidão – o que reduz bastante o consumo – e percebi, que quando alguém me “fazia uma presença” ou me dava uma “carinha”, como se dizia, eu fumava todo dia até acabar, e não havia nada que me impedisse de fazer isso. Há decadas nem lembro que existe. A melhor definição do vício da maconha vi no Junky, do Borroughs. Segundo me lembro, ele encontra em alguma passagem um viciado em maconha, que lhe diz algo como “a vida fica absolutamente sem graça sem maconha”. A melhor descrição do alcoolismo que vi é a de Memórias Alcoólicas do Jack London. Ficar cavocando blog tem algo a ver com ficar batendo a cabeça na parede.

Fim de semana


Pecus levou trabalho pra casa.

domingo, maio 01, 2005

Perrengue absoluto

Horas atrás, no meio da madrugada, fui buscar duas meninas numa festa de 15 anos num espaço (não mais bufê) na Vilompa. Lembrei de um perrengue absoluto do fim do ano passado. Fui com a digníssima à elegante festinha de um amigo, na qual foram servidos acepipes leves em uma mesa, mais um jantar civilizado em cumbucas pequenas muito práticas para se comer em pé, além de um serviço de bebidas eficiente até demais. Tínhamos que pegar quatro meninas em uma festa de 15 anos, e assim alongamos nossa permanência. Mais para o fim, depois que o meu amigo embarcou aliviado o pai no elevador, surgiu o inevitável fininho (sim crianças, isso não muda nunca), e tive a idéia infeliz de dar um saudosista pega. O fim da festa foi animadíssimo, e a minha mulher observava divertida a minha atuação pra lá de simpática. Fomos embora antes de vários convivas – ponto pra mim – e com a parte sã do casal ao volante, rumamos para a festa das meninas. Durante o trajeto começou o revertério e comecei a passar mal. As meninas embarcaram, e concentrado ao máximo, apenas balbuciei um boa-noite inaudível virado pra frente e imóvel. As quatro a mil por hora comentando a festa nem notavam que eu existia. Consegui, em total desespero, manter o equilíbrio precário até entrarmos na garagem. Como sempre elas chisparam do carro para casa, e finalmente me vi só. Abri a porta do carro e a mistura de muito vinho, pouca comida, e o d2, partiu em violenta erupção do meu estômago para o chão da garagem, o que não acontecia comigo há décadas. Dei graças aos céus por ninguém ter visto. Que humilhação, que trauma seria para a filha mais velha. Em algumas festas do fim da minha adolescência, por causa de misturas semelhantes, me vi agarrado algumas vezes a privadas estranhas, enquanto o banheiro rolava morro abaixo. Não esperava que fosse acontecer de novo.