Este fim de semana cozinhei pra minha sogra. O aniversário dela caiu no Carnaval, e lamentavelmente não pudemos estar juntos. Também era o aniversário de uma netinha dela, filha do meu cunhado, que teria sua festinha outro dia. Minhas filhas fizeram um bolo e brigadeiros, e eu me arrisquei – ou melhor, arrisquei a sogra e o cunhado – num ragu de cordeiro que já tinha executado uma vez, com algumas falhas que pretendia corrigir.
Usei uma receita que achei a esmo na internet, que me pareceu simpática porque recomendava tomates passados comprados na xepa da feira para o molho, e que seu usasse a carne de carneiro mais gorda que se encontrasse. Me fiando nessas recomendações, da primeira vez fui ao açougue e comprei uma paleta desossada, que me pareceu mais de um carneiro do que de um cordeirinho. Cortei em cubos sem maiores preocupações, e as moças reclamaram dos nervos e gorduras na carne misturada ao molho.
Desta vez comprei as duas únicas paletas que encontrei no supermercado, com osso e de cordeiro mesmo. Sabia que a perda ia ser grande, e daqueles mais de três quilos deveria sobrar pouco mais de um quilo de carne absolutamente limpa. Fiquei um tempão desossando e limpando aquela pouca carne, lamentando os lindos nacos descartados por estarem entremeados de um simples nervinho. A operação me custou três pequenos cortes na ponta dos dedos da mão esquerda.
A receita é simples. Peguei os cubos de carne lavados e secados, joguei todos de uma vez numa panela com azeite quente, para dourar. Depois do início do processo, pus as ervas recomendadas, alecrim e orégano fresco em quantidade menor que da primeira vez, que ficou exagerado, e um pouco de sal e pimenta do reino. Era um dos passos que eu pretendia aprimorar, mas fiquei com preguiça. Em vez de pôr para dourar toda a carne ao mesmo tempo, pensei em “saltear” aos poucos, três ou quatro cubos de cada vez, pra não soltar toda aquela água como aconteceu da primeira vez, o que impede de dourar e põe a carne a cozinhar. Repeti o erro, mas ao meu lado estava descascando e picando os tomates a nossa cozinheira, que sugeriu tirar o excesso de líquido, e ir pondo aos poucos, o que eu fiz e deu muito certo. Dourada a carne, pus os dois copos de vinho branco como recomendado, e esperei evaporar. Ao ver toda a imensa quantidade de cebola picada – oriunda de uma única translúcida redoma – achei melhor refogar tudo aquilo no azeite, antes de pôr na panela com os dois quilos de tomate descascados, limpos de sementes e picados. Ficou um molho de macarrão aceitável, nenhuma princesa reclamou da ervilha sob o décimo-sexto colchão de plumas de ganso.
Usei uma receita que achei a esmo na internet, que me pareceu simpática porque recomendava tomates passados comprados na xepa da feira para o molho, e que seu usasse a carne de carneiro mais gorda que se encontrasse. Me fiando nessas recomendações, da primeira vez fui ao açougue e comprei uma paleta desossada, que me pareceu mais de um carneiro do que de um cordeirinho. Cortei em cubos sem maiores preocupações, e as moças reclamaram dos nervos e gorduras na carne misturada ao molho.
Desta vez comprei as duas únicas paletas que encontrei no supermercado, com osso e de cordeiro mesmo. Sabia que a perda ia ser grande, e daqueles mais de três quilos deveria sobrar pouco mais de um quilo de carne absolutamente limpa. Fiquei um tempão desossando e limpando aquela pouca carne, lamentando os lindos nacos descartados por estarem entremeados de um simples nervinho. A operação me custou três pequenos cortes na ponta dos dedos da mão esquerda.
A receita é simples. Peguei os cubos de carne lavados e secados, joguei todos de uma vez numa panela com azeite quente, para dourar. Depois do início do processo, pus as ervas recomendadas, alecrim e orégano fresco em quantidade menor que da primeira vez, que ficou exagerado, e um pouco de sal e pimenta do reino. Era um dos passos que eu pretendia aprimorar, mas fiquei com preguiça. Em vez de pôr para dourar toda a carne ao mesmo tempo, pensei em “saltear” aos poucos, três ou quatro cubos de cada vez, pra não soltar toda aquela água como aconteceu da primeira vez, o que impede de dourar e põe a carne a cozinhar. Repeti o erro, mas ao meu lado estava descascando e picando os tomates a nossa cozinheira, que sugeriu tirar o excesso de líquido, e ir pondo aos poucos, o que eu fiz e deu muito certo. Dourada a carne, pus os dois copos de vinho branco como recomendado, e esperei evaporar. Ao ver toda a imensa quantidade de cebola picada – oriunda de uma única translúcida redoma – achei melhor refogar tudo aquilo no azeite, antes de pôr na panela com os dois quilos de tomate descascados, limpos de sementes e picados. Ficou um molho de macarrão aceitável, nenhuma princesa reclamou da ervilha sob o décimo-sexto colchão de plumas de ganso.






















