segunda-feira, setembro 11, 2006
Posesión del ayer
segunda-feira, setembro 04, 2006
O fio da fábula
J. L. Borges, "Os Conjurados".
Esta imagem do Minotauro no fundo do labirinto, e Teseu a descer com a guia do caminho de volta, de Ariadne para Ariadne, pra mim tem o significado do enfrentamento do civilizado com o selvagem que habita em nós, o desejo físico que tanto nos perturba, o mesmo que a fábula do rei Kong. Em outro plano talvez também o egoísmo e a violência. Posso chutar que o corpo de touro e cabeça de homem do monstro de Dante é por causa disso, o ênfase do selvagem na parte inferior do corpo.
sexta-feira, setembro 01, 2006
Saga
quarta-feira, agosto 30, 2006
Condições anormais de temperatura e pressão
terça-feira, agosto 29, 2006
Rádio brega
domingo, agosto 27, 2006
Joga as cascas pra lá
quarta-feira, agosto 23, 2006
Chegando perto

Hellhound On My Trail
by Robert Johnson
I got to keep moving, I got to keep moving
Blues falling down like hail, blues falling down like hail
Mmm, blues falling down like hail, blues falling down like hail
And the day keeps on remindin' me, there's a hellhound on my trail
Hellhound on my trail, hellhound on my trail
If today was Christmas eve, if today was Christmas eve
And tomorrow was Christmas day
If today was Christmas eve and tomorrow was Christmas day
All I would need is my little sweet rider
Just to pass the time away, to pass the time away
You sprinkled hot foot powder, mmm, around my door
All around my door
You sprinkled hot foot powder, all around your daddy's door
It keeps me with ramblin' mind rider
Every old place I go, every old place I go
I can tell the wind is risin', the leaves tremblin' on the tree
Tremblin' on the tree
I can tell the wind is risin', leaves tremblin' on the tree
All I need is my little sweet woman
And to keep my company, hey, hey, hey, hey, my company
segunda-feira, agosto 21, 2006
Roubadas
quinta-feira, agosto 17, 2006
Trans
segunda-feira, agosto 14, 2006
Filme de terror
sexta-feira, agosto 11, 2006
quarta-feira, agosto 09, 2006
segunda-feira, agosto 07, 2006
Auto-atrapalhação

Foi-se ou não o tempo em que a palavra era definitiva? Para o bem e para o mal, frente aos outros ou pior, a si mesmo. As auto-promessas de dieta, abandonar vícios e outras fixações, parecem ser feitas para serem quebradas. O promitente sabe racionalmente o que é melhor para ele mas uma força superior lhe tolhe a vontade, proporcionando o prazer rápido de um chocolate e uma mais persistente sensação de fraqueza e derrota. Nesta despretensiosa reflexão amadora, eu poderia fazer uma primeira divisão entre as compulsões ativas, de fazer, e as passivas, de não-fazer, se é que podem ser chamadas assim. Destruir um pacote de bolachas doces seria uma compulsão ativa, e faltar à sessão da academia, passiva. Pode-se inverter o sinal, e ver-se o oposto. Não conseguir deixar de atacar a geladeira, ou seja não impedir-se de violar a regra auto-imposta, deixar a vontade baixa escapar do controle pode ser vista como passiva, assim como optar por ir à sorveteria ao invés da academia pode ser vista como ativa. É possível enxergar-se a questão assim, como vetores equivalentes, mas me parece uma certa forçação de barra. Fazer o que não devo e não fazer o que devo pra mim é claro e palpável. Então a luta é para não fazer o que não devo e fazer o que devo. Ambas as posições tratam do dever auto-imposto, mas há uma diferença grande entre elas. A compulsão que supera a vontade é muito mais difícil de ser tolhida do que obter a motivação pra fazer o que se deve, ou executar-se os planos de progresso. Digo isso por experiência própria. Bom é quando a compulsão nos leva para onde queremos ir.
quinta-feira, agosto 03, 2006

Em nova versão gentilmente melhorada por a.
Demoro pra aprender certas coisas. Há muito tempo que eu sei e reflito sobre o assunto, que numa negociação qualquer, seja um negócio, uma briga familiar, ou mesmo pegar um cavalo no pasto, é necessário deixar espaço para que o interlocutor dê todas as voltas que quiser para aceitar a proposta ou oferecer uma contraproposta, sem confronto. Cercar todas as saídas antes da hora, acuando, é a melhor maneira de perder o negócio. Volta e meia, ansioso, ainda faço isso. Mesmo sabendo que negócio e baile funk tem todo dia.
quarta-feira, agosto 02, 2006
Fogo

terça-feira, agosto 01, 2006
sexta-feira, julho 28, 2006
Una canción desesperada
quinta-feira, julho 27, 2006
Alalaô

quarta-feira, julho 26, 2006
Lhama


No pitoresco pueblito de Machuca, lá no altiplano, que mais parece uma desabitada cidade cenográfica, na qual estavam só três ou quatro habitantes supostamente locais, um deles vendia churrasquinho de lhama, no melhor estilo “de gato”, entremeando à carne rodelas de salsicha barata, para conseguir atender a grande clientela turística a dois dólares o espetinho. Escura e de sabor forte, parece carne de caça. Só não duvidei do pedigree dos moradores porque vi um deles pegar um saquinho de quínoa, que as boas lojas de produtos naturais vendem caro como o cereal dos reis, e macerar num pilão de pedra ao pé de uma casa usando uma outra pedra, igualzinho ao que vi em um museu arqueológico, segundo o qual vem sendo usado há dois mil anos.
segunda-feira, julho 24, 2006
Turista

terça-feira, julho 11, 2006
Férias
Pangaré
quinta-feira, julho 06, 2006
Amanhã eu conto
terça-feira, julho 04, 2006
Viajar leve 2
segunda-feira, julho 03, 2006
Viajar leve
sexta-feira, junho 30, 2006
Assédio
quinta-feira, junho 29, 2006
Esperando Bardot
Acho ótima a história. Esta mulher é um troço!
quarta-feira, junho 28, 2006
Frio
terça-feira, junho 27, 2006
Além de matar o gato
CC - Porque é que considera ser importante incentivar a «curiosidade apaixonada» do público?
segunda-feira, junho 26, 2006
Ainda São João
O ilustre habitante do Panteão de Paris, (certo Fitzwilliam?) inicia sua argumentação explicando o significado da expressão do título original Midsummer, que não é o meio do verão, mas a data do solstício, uma noite de festa importante e particular dos britânicos: “Na inglaterra de Shakespeare a véspera de Midsummer era a noite fantástica por excelência. Nessa noite, e no momento a ponto em que nascera S. João, é que saía da terra a afamada semente de feto, que tinha a virtude de tornar invisível. Para haverem esta semente, pelejavam entre si com toda a braveza as fadas capitaneadas da sua rainha e os demônios sob o manto de Satanás. Os mágicos mais destemidos, costumavam ter-se de vela nas solidões, com o intuito de ganharem por mão aos espíritos, e apanharem primeiro que eles, a preciosa semente. Muitas vezes porém lhe sucedia aguentar com eles desavenças pavorosas; e a não terem por si feitiços de grande posse, levavem a vida em contingências. Nesses lances, os mais bem livrados eram os que vinham só sovados do conflito.”
Já inventando, chuto que talvez ou até para afastar o desagradável demônio católico do contexto da sua peça leve e onírica, o bardo inglês tenha situado a história na Grécia antiga, limitando a população de seres intangíveis a fadas e duendes, que, por outro lado, nada têm de bonzinhos. Aliás, por se situar na antiguidade anterior a Cristo, talvez não devesse o tradutor ter usado a efeméride católica como referência. O próprio Victor Hugo, por não reconhecer na cultura francesa o significado fantástico da Noite de São João optou pelo tradicional título “Sonho duma noite de estio”. O português que se assina apenas Castilho concluiu ao contrário que “as práticas supersticiosas, crenças de profecias, e quimeras poéticas” em sua terra nada ficam a dever às britânicas, e assim justificou a sua noite de São João.
Mas é a noite em que as amarras do real ficam soltas e o sobrenatural domina, fazendo o amor triunfar sobre o dever, sob o efeito dos feitiços das fadas e duendes.
domingo, junho 25, 2006
São Vito Mártir
sábado, junho 24, 2006
Pura implicância
Ele começa mencionando "a exposição sobre nosso idioma e sua merecida repercussão", sem sequer mencionar que exposição era essa, e demorei - é verdade que ando lento - um pouco para supor que se tratava do Museu da Língua Portuguesa na Estação da Luz. O articulista pelo menos se deu ao trabalho de “defender” - não diz quem, mas se intui os organizadores - da inveja dos "formuladores" de críticas (de onde ele tirou essa expressão?!) por imprecisões históricas, categoria na qual eu o incluiria só por essa menção mesquinha.
E aí envereda em uma cruzada em defesa da clareza da língua, usando uma imagem desagradável: "A Língua Portuguesa precisa de um regime para emagrecer. Deve urgentemente perder celulites que agridem a decantada formosura do seu corpo." Pra mim é um rematado absurdo alguém pregar a redução de palavras de uma língua, ainda que pouco usadas e feias. Como diz o ditado, o que abunda não prejudica. Ele exemplifica com "aleivosia", que qualifica de tenebroso vocábulo, no meu ver adequado ao significado. Prossegue enumerando "jaez, ínterim, encômio, vitupério, entrementes..." que considera "rebarbativas" (isso não é falar difícil?), e segundo ele sempre haveria outra correspondente "mais bonita e mais simples, de igual significado, que todo mundo entende". Pra mim, a sinomínia é sempre aparente, e existem diferenças sutis entre as “iguais”, quanto mais não seja pelo som, e a variedade dá colorido à língua. A sua tese é de que há um gosto pela incomunicabilidade, e falar difícil confere status. E chuta, sem qualquer base ou referência, de que esse gosto vem do latinório dos primeiros bacharéis, e exemplifica com Rui Barbosa, dando a entender que são os primeiros bacharéis brasileiros. Não sei porque o gosto pela retórica pomposa não viria dos antigos gregos, ou dos romanos em decadência, só pra aventar algumas hipóteses.
Há aí uma incoerência na argumentação, porque latim não é português, e o uso de expressões estrangeiras não é exatamente o português rebarbativo, mas sim um outro fenômeno de linguagem. E o Aluízio prossegue no desvio da sua tese inicial, com a seguinte bobagem: "profissionais de outras áreas também criaram jargões próprios, dificultando a compreensão de seus textos pelos outros mortais. Daí o economês, o sociologuês e outros idiomas dentro do idioma." Falcão comete a ingenuidade de ignorar a existência da linguagem científica, estudada pelos intelectuais do chamado Círculo de Viena, que reconheceram a existência de várias linguagens especializadas utilizando ou não o idioma como base, que têm como característica a busca da clareza através dos significados únicos, e só servem aos interlocutores que as conhecem. Não têm nada a ver com o rebarbativo ou o gosto pela incomunicabilidade, muito ao contrário, perseguem a precisão.
Passa a disparar sua metralhadora descontrolada pela literatura, abatendo ao acaso alguns “rebarbadores”, começando em Euclides da Cunha, de quem admite a genialidade que reputa escondida pela afetação, com base no argumento da autoridade de Joaquim Nabuco, novamente construindo seu raciocínio de forma infeliz, pois para Nabuco, segundo o próprio Aluízio, Euclides era um mau escritor. A mim parece óbvio que Euclides não seria Euclides sem a afetação, pois na literatura, ao contrário da linguagem científica, o estilo, ou melhor dizendo o modo de expressão do autor, é indissociável das idéias que expressa. Esperemos só que Aluízo não se proponha a limpar o texto dele.
A vítima seguinte é Augusto dos Anjos, a quem também diz admirar, afirmando porém "que se tornou famoso por seus piores versos, aqueles de linguajar rebarbativo: Cosmopolitismo das moneras/pólipo de recônditas reentrâncias..." É estranho um admirador do poeta não reconhecer o seu escancarado senso de humor nesses poemas gongóricos de metáforas médicas e científicas, esgarçando o idioma ao máximo para dele arrancar imagens de arrepiar, como no genial soneto "Psicologia de um vencido". Igualmente, retire-se essa característica de Augusto, o que sobrará?
No parágrafo seguinte comete um terrível erro de concordância, ao bajular a linguagem jornalística moderna (porque será?): "Inclusive quando incorporam uma linguagem que, pelo uso corrente na oralidade, adquirem o direito de ingressar na linguagem escrita." Esse mérito é no mínimo discutível, primeiro porque o interesse é vender jornais, e também porque não se pode esquecer a responsabilidade dos grandes órgãos de imprensa na manutenção da qualidade lógica e funcional da língua.
Ataca então os parnasianos, e aí falta originalidade à crítica. Desde criança ouço falar mal do apego excessivo às formas e aos temas clássicos e distantes dessa turma. Novidade haveria se tivesse mostrado algo de bom. E falha mais uma vez em seu exemplo: “Mesmo aquele de Olavo Bilac sobre a Língua Portuguesa e que começa com Última flor do Lácio inculta e bela” merece reparos. Primeiro, porque o poeta imaginou que todos os seus leitores tinham a obrigação de saber que o Lácio era uma antiga região da Itália, onde primitivamente se falava o latim.” Foi mal. O Lácio não era, o Lácio é uma importante província da Itália, com mais de cinco milhões de habitantes, onde se encontra Roma, e que tem um famosíssimo time de futebol de mesmo nome, o Lazio. E todos os leitores de Bilac sabem que o português é uma língua latina. Lácio, Latium, latim, não é uma charada tão difícil assim, ainda mais levando em conta o tema do poema e o sentido do verso.
Os dois últimos argumentos também não têm nenhuma lógica, e apontam como culpados pelo falar difícil as teses acadêmicas perdidas no escurinho das bibliotecas – se não são lidas não podem causar dano – e os gramáticos puristas, aos quais, segundo o próprio autor, ninguém presta atenção. É óbvio que as críticas que tais seres retrógrados e obscuros não teriam força nenhuma para barrar o progresso da língua.
É triste ver desperdiçado o espaço nobre de meia página do caderno cultural de um dos mais importantes jornais do país com tanto papo furado.
sexta-feira, junho 23, 2006
Um real por dia
quinta-feira, junho 22, 2006
Pois é
quarta-feira, junho 21, 2006
Solstício

Hoje é o dia do solstício de inverno, ocorrido às 9:27 da manhã. Como o ponto culminante da órbita foi de manhã, acredito que a noite mais longa do ano foi a de ontem, de 20 para 21. Achei esta figura que mostra como os lugares onde o sol nasce e onde se põe se deslocam durante o ano, aqui no hemisfério sul em direção ao norte, e assim o arco aparente que ele descreve sobre um dado horizonte diminui, bem como a altura máxima que o Sol atinge. Eu acho, mas não tenho certeza, que a inclinação desse arco aparente é constante, e representa a inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao plano da órbita do Sol.
terça-feira, junho 20, 2006
Garotas, suspirem

Está no ar o blog do dândi egocêntrico, autocentrado, conservador e bem educadíssimo Fitzwilliam, pavoneando-se fleugmaticamente da sua peculiar visão do mundo.
segunda-feira, junho 19, 2006
A mãe do Freud
domingo, junho 18, 2006
Ô Jayme
sábado, junho 17, 2006
Na toca
sexta-feira, junho 16, 2006
Poço sem fundo
quinta-feira, junho 15, 2006
Corpo de Cristo
quarta-feira, junho 14, 2006
Não vou
terça-feira, junho 13, 2006
A nação em chuteiras

Começa a copa, no dia de Santo Antônio, do qual Zagalo, o pé-quente, é devoto. Anda com um santinho no bolso. Há quem se irrite com a copamania. Um dos argumentos mais usados é o do patriotismo barato, ou até nocivo, que sujeita a nação à manipulação do estado. Tendo a discordar. Aprendi, lendo notícias sobre escândalos, que a CBF é uma associação privada sem fins lucrativos, tipo de instituição hoje comumente chamada de ONG. Um clube de federações estaduais de futebol, por sua vez clubes de clubes de futebol, também associações sem fins lucrativos. Ou seja, toda a estrutura do futebol brasileiro é da iniciativa privada sem fins lucrativos. Clubes formados por amigos amantes do esporte amador, que o amor pelo esporte tornou gigantes, hoje um tanto descontrolados, vá lá. Ou seja, forçando um pouco a barra pode-se dizer que a nossa seleção tem origem remota em sonhos de garotos que organizaram seus times de bairro para jogar peladas nas várzeas. E essa ainda é a origem dos nossos gloriosos craques, milionários que jogam futebol como ninguém no mundo. Dá pra se perceber em cada garoto – e agora garotas também jogam – que joga ou jogou futebol a capilaridade da sustentação popular da seleção brasileira, que transcende manipulações de políticos e patrocinadores, e representa um pouco do que esta nação tem de melhor, nação no sentido humano de identidade cultural e étnica, e não na acepção do falido modelo do estado moderno. Por isso alterei a expressão rodrigueana do título.
Agradeço aos convites dos amigos mas vou ver esse jogo com a família na casa dos meus pais, alguns dos meus irmãos, espero que com filhos e sobrinhos presentes, e quem mais aparecer será muito bem vindo. A celebração das copas está na raiz mais funda da nossa formação.
segunda-feira, junho 12, 2006
Ainda remo
Depois da prova fomos conversar com os vencedores no tempo real, trazidos a segundo no tempo corrigido, uma dupla de um famoso clube carioca. Começamos a conversar sobre o praticamente inexistente circuito de remo master, e o homem da dupla – que também ganhou a prova de skiff master – disse meio sem graça que irá participar dos outgames em Montreal, em julho ou agosto deste ano, explicando que era uma olimpíada das minorias. Depois pesquisei e vi que são os gay games, ou pelo menos um racha da sua sétima edição. Ele não precisava ter feito isso, mas fiquei com a impressão que ele fez questão de declarar a sua opção sexual naquele ambiente presumidamente homofóbico, onde o humor cotidiano é feito basicamente à base de piadas preconceituosas. Foi tratado com todo o respeito mesmo depois da cerveja do churrasco de confraternização.
domingo, junho 11, 2006
Responsabilidade social
Que o altruísmo é um forma um pouco mais sofisticada de comportamento auto-interessado é mais ou menos óbvio. Ninguém é bonzinho por ser bonzinho, contrariando seus instintos animais egoístas, mas porque considera uma postura mais recompensadora. Trata-se de pensar a longo prazo, como investir tempo, dinheiro, energia, ou o que quer que se tenha para aplicar. Na nossa sociedade moderna às vezes o altruísmo fica tão longe da recompensa que são usadas metas abstratas anteriores para simulá-las, como medalhas, prêmios e outros tipos de homenagens, que podem ser ainda mais tênues e impalpáveis. Sábado fiquei duas horas no caixa de uma festa junina beneficente e ninguém me agradeceu. Não que eu esperasse agradecimento, quer dizer, quem iria me agradecer? Os beneficiados, credores de uma sociedade injusta na distribuição das oportunidades, que eu nem sei quem são?
sexta-feira, junho 09, 2006
Fogo de palha
Afora ventos e trovões, a direção é mais ou menos a mesma. Devo estar indo para algum lugar.
quinta-feira, junho 08, 2006
O profeta do deserto
quarta-feira, junho 07, 2006
Opositores
terça-feira, junho 06, 2006
Maratona
Hoje, na raia, o treinador me deu senão o melhor, um dos melhores barcos do clube pra eu treinar, cheio de dedos, recomendações, admoestações e ameaças pela integridade física da embarcação, verdadeira casquinha de ovo. O que eu vinha usando estava com sua arcaica estrutura literalmente desmontando. Foi demais.
segunda-feira, junho 05, 2006
Granola
sábado, junho 03, 2006
O filho predileto de Xangô

Foto tirada do site dele.
sexta-feira, junho 02, 2006
Chá ou café?

Há séculos, ou milênios, os filósofos discutem destino e escolha. Traçamos nosso próprio destino ou estamos a ele condenados, como o pobre Édipo, que quanto mais dele tentou fugir mais na sua direção correu. Existe uma escolha errada, ou existe só uma escolha possível, aquela que se toma? Ainda que se possa ouvir o futuro, as palavras da sibila são sempre entendidas errado. Não vou entrar nessa briga de cachorro grande. Mas assim como não acredito em vocação, aceito que há momentos em que várias escolhas certas são possíveis, e não há como errar.
Uma das sibilas da Capela Sixtina
quinta-feira, junho 01, 2006
Auto ajuda
quarta-feira, maio 31, 2006
Partidas dobradas
Esta matemática simples e cartesiana retrata fielmente a situação de uma universalidade com sentido econômico. Qualquer pessoa física ou imaterial pode apurar os seus deveres e haveres, ainda que este patrimônio esteja em constante mutação, e tirar um instantâneo deste conjunto dinâmico, o famoso balanço.
Do ponto de vista humano dá pra imaginar alguém alinhando lado a lado suas forças e fraquezas, abundâncias e carências, para constatar se esta universalidade dinâmica que é uma pessoa, na trajetória em que se encontra, é viável ou caminha para o desastre. Se viável, pode melhorar? Se caminha para o desastre, o que pode ser feito para evitá-lo?
Todo balanço tem algo de incerto, expectativas boas e más que podem ou não se confirmar, e a sua função é orientar a administração e fundamentar suas deliberações, dando referenciais de probabilidade. Nas companhias a sua confecção de acordo com certos princípios e regras, e a sua publicação, é forma de cumprir o dever de transparência com o mercado, especialmente investidores e credores. Ainda bem que os humanos podem – e talvez devam mesmo - guardar seus balanços pessoais para si próprios. Ia ser muito engraçado se a divulgação fosse obrigatória.
terça-feira, maio 30, 2006
Fazer o que?
Faltam dez dias para o dia 9 de junho, quando começa a Copa do Mundo, com Alemanha enfrentando a bela Costa Rica. Mal posso esperar. O Brasil estréia só no dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, contra a dura Croácia. 13 é o número de sorte do Zagalo, e ele anda justamente com uma imagem do santinho no bolso, de amuleto. Ninguém vai muito com a cara do Zagalo, mas como ele diz, a gente tem que enguli-lo. É o pagé do penta, o grande mistificador, o velho bruxo que assusta as criancinhas chacoalhando o seu maracá e entoando canções agourentas. Acho o velho Lobo um embuste, assim como o Felipão e o Leão. Acredito no Telê, Parreira e Luxemburgo, ainda que este último seja aparentemente um mau caráter.segunda-feira, maio 29, 2006
Andando em círculos
Nos arquivos deste blog, no dia de 22 de maio do ano passado, há uma menção a um certo evento aeronáutico no interior deste estado de São Paulo. Esse fim de semana estive lá de novo, e vi voar uma maravilhosa réplica do Demoiselle, do Santos Dumont. Suas asas de tela branca iluminadas contra o sol, no céu azul, ao som do ronronar do pequeno motor, compuseram uma visão e tanto, e fiquei pensando nas façanhas do rapaz em Paris. É um elegante ultraleve que voa perfeitamente bem. Vi também a esquadrilha da fumaça, que me fascinou quando estive lá há dois anos (o ano passado a esquadrilha não compareceu), mas que dessa vez não teve tanta graça, pela repetição. Vou a esse evento todo ano porque é próximo da casa de uns amigos, que freqüento há mais de vinte anos, onde sempre encontramos outros tantos amigos. Nossos filhos cresceram juntos e são bastante íntimos, apesar de não se verem com tanta freqüência. Depois, chegando a São Paulo, fui buscar minha filha que estuda no colégio que estudei, que vinha de uma viagem organizada pela escola que igual a eu fiz há uns trinta anos. Claro que deve haver forças identificadas por leis, como as newtonianas, amarrando todas essas trajetórias. Uma delas é certamente similar à inércia, ou seja, a ausência de forças.sexta-feira, maio 26, 2006
Marés
As marés são muito mais fáceis de entender do que as estações. Sempre a porção da Terra que está virada pra Lua está com a maré alta. E sua parte oposta também porque a Lua, ao atrair a face de mar que está na sua frente, estica, alonga, todo o oceano, formando uma maré alta do outro lado. Assim, a cada rotação da Terra, temos duas marés altas, e obviamente, duas baixas.quinta-feira, maio 25, 2006
A mão invisível e o seu calo
O plano era simples. Tratava-se de comprar o mais barato possível e vender pelo máximo que conseguisse os artigos que as pessoas que passavam por ali precisavam, queriam ou pudessem querer. A diferença entre as compras e vendas teria que cobrir as todas as despesas e possibilitar pelo menos a recompra do estoque, curva que seria aferida digamos, mês a mês. Ao final de um ano mediria os resultados, e planejaria o que fazer no ano seguinte. Crescer ou diminuir, enxugar custos ou investir, manter o rumo, mudar de direção ou diversificar. Um parceiro com quem pudesse trocar idéias seria muito conveniente. Os antigos do ramo diziam que o difícil era contentar o dono da rua, o insasciável Gargântua, e o seu filho mimado Pantagruel.terça-feira, maio 23, 2006
Não confunda inverno austral com inferno astral
Este ano o solstício de inverno, que varia entre o dia 21 e o dia 23 de junho no hemisfério sul, será às 9:27 horas do dia 21 de junho. É um dos dois pontos mais distantes da órbita da Terra em relação ao sol (posição 1 da figura do Inpe), e a noite mais longa do ano, tradicionalmente a véspera da noite de São João, 24 de junho. Aparentemente a variação da distância da Terra ao Sol proporcionada pelo formato elíptico da órbita não tem relevância na temperatura. Outra coisa me intriga na classificação das estações. O início do inverno, demarcado pelo solstício, salvo engano, é o dia tendente a ser o mais frio, por ser o ápice da órbita. Não consigo entender porque o inverno, a estação mais fria, não começa 45 dias antes do solstício e termina 45 dias depois, abrangendo todo o período mais frio do ano. Ou será que só após a noite mais longa é que os dias ficam mais frios? Não me parece muito lógico. Mas acho bacana a marcação astrofísica da festa pagã da noite de São João, que celebra o início do caminho de volta para os dias longos de verão. segunda-feira, maio 22, 2006
Uma questão gramática
sexta-feira, maio 19, 2006
Ísquios

quarta-feira, maio 17, 2006
Kung fu
segunda-feira, maio 15, 2006
Gás
Foto: EstadãoO sistema de aquecimento de água da minha casa é a gás, de passagem, alimentado por um grande bujão de 190 quilos, que é abastecido por um caminhão com uma mangueira. Era uma boa opção quando instalei em 1997, e agora deve ser uma das piores. O aquecedor é “computadorizado”, e a despeito das minhas fantasias do que isso podia significar quando comprei, nada mais é do que termostato digital. Essa gracinha funciona muito bem com um pressurizador, e garante banhos magníficos. Acontece que o tal aparelho tem um controle remoto ligado por um fio, que os instaladores se recusaram a passar pelo mesmo conduíte do cabo de força, o único que conduzia até a laje superior. O controle remoto ficou lá no telhado, junto com o aquecedor. Cada vez que falta energia, sou obrigado a subir no telhado e “reprogramar” o termostato, que volta para o zero. Pra subir na laje superior, há uma escada “de marinheiro”, que sai de um terracinho do piso superior, chumbada na parede. Quando mudei minhas filhas eram pequenas, e eu fiquei com medo que elas se aventurassem no telhado. Cortei a escadinha, que ficou com o primeiro degrau a um pouco mais de um metro do chão. Por conta dessas falhas, volta e meia subo no telhado, o que é um pouco trabalhoso, mas não é uma experiência de todo má. Às vezes está frio, ou chovendo, ou estou dormindo, de pijama, e tenho que subir, apertar os botõezinhos, pi-pi-pi-pi-pi-pi, e o aparelho volta a funcionar. É forçado, mas é razoavelmente esporádico, e assim acaba sendo legal. Gosto de subir no telhado, e jamais subiria não fosse esta característica da casa. Não é nenhum alpinismo, mas é um ponto de vista aéreo da redondeza, uma sensação muito agradável, com o friozinho na barriga das beiradas a uns sete metros de altura. Se eu vestisse uma máscara de esqui, um pijama laranja, pegasse o facão do jardineiro e um celular, me sentiria o próprio presidiário amotinado. Na vida real, a altura seria maior e o frio na barriga também, pois envolveria risco de ser morto, e causar muitas mortes. Na pele de um dirigente de uma organização criminosa, haveria a sensação de poder de estar orquestrando uma rebelião de dimensões estaduais, em comunicação com outros líderes, cada um no telhado de um outro presídio cercado pelas forças mais letais da polícia, contidas apenas pela vida sem valor de alguns reféns. Uma causa tão sem razão como tantas outras. Eu no telhado estaria dando telefonemas muito menos interessantes. Mesmo assim, acho que a próxima vez que faltar energia, vou subir lá com um celular.
PCC
Deve ser por causa do meu processo de emburrecimento iniciado no carnaval, que está quase completo. Passei o fim de semana dormindo e vendo tv, depois de longas sessões matinais de esporte.
quinta-feira, maio 11, 2006
Skiff
Assisti ontem “O sol de cada manhã” ou “The weather man” com o Nicolas Cage. Ele tem quase a minha idade, e o primeiro filme que me lembro com ele foi o “Rumble fish”, do seu tio Francis Ford. Tenho a impressão que nesses vinte anos já vi tantos filmes com ele, que quase não consigo mais ver o personagem. Ainda que ele mude o cabelo, e tente disfarçar, está lá sempre o ator, com sua feição familiar e sua voz inconfundível, seja um soldado italiano, um imigrante polonês, ou o homem do tempo. O filme é bom, e tem componentes que facilitam a identificação de gente da nossa idade, minha e do Cage. No meu caso foi pior, pois o pai dele é o Michael Caine, com quem o meu pai é bastante parecido. O assunto é a dificuldade de se aceitar, depois que as infinitas possibilidades da juventude foram embora, e somos o que somos. Fora o fardo de erros e bobagens.Estou remando agora o single skiff. Tem 8,40 metros de comprimento e 36 centímetros de largura. É bastante instável, o que demanda concentração permanente. É muito gostoso. Aliás, o Nicolas Cage fez em 86 um filme sobre Ned Hanlan (“The boy in blue”), um remador de skiff (ou scull, como dizem por aí) canadense do século XIX, que foi uma estrela do esporte no seu tempo. Morava numa ilha, e o acesso era por remo. Quando atingiu o ápice da carreira, a regata mais famosa era uma em Londres, com mil libras de prêmio. Dizem que no meio ele parou, acenou para a platéia, tomou água, deixou os concorrentes passarem e ganhou a prova. Ainda não consegui ver este filme.
quarta-feira, maio 10, 2006
Vergonha é roubar e não conseguir carregar

terça-feira, maio 09, 2006
Riviera?

Domingo fui surfar na Riviera de São Lourenço. Nunca tinha ido lá. Um amigo sugeriu, porque a praia tem um grande ponta com um morro projetada para o oceano oferecendo uma certa proteção ao vento sul, que estava um tanto forte e deixando o mar mexido. Deu certo. O canto sul da praia realmente estava com uma formação razoável, em comparação com a parte mais exposta ao vento. É uma praiona grande, de uns quatro a cinco quilômetros, meio sem graça, aquele jeitão Bertioga. A urbanização é pouco atraente. Avenidas de bloquete (aqueles hexágonos de concreto) um tanto irregulares, arborizadas com palmeiras, setores de prédios de oito andares azulejados, e casas, muitas bizarras. Não tem cara de cidade, mas de empreendimento imobiliário. Todos pareciam haoles ali, o que não é mau.
quinta-feira, maio 04, 2006
Uma lágrima

Ontem ouvi na rádio Eldorado o programículo do Nelson Mota. A novidade era a versão do Pato Fu da música do Odair José “Uma lágrima”, contida num disco homenagem de vários artistas não-bregas, chamado “Vou tirar você desse lugar – Tributo a Odair José” (tem na íntegra na radio UOL, ainda não ouvi), que é realmente uma joinha. A Fernanda Takai é uma dessas cantoras ditas “sem voz”. Adoro os cantores “sem voz” e acho esse tipo de crítica detestável, de gente que aprecia o abominável e desumano belcanto, que fica mais abominável ainda quando retirado do seu contexto erudito – se bem que pra mim ópera seja um breguice popular que só se tornou erudita por ser coisa de museu – e enxertado na música popular. Uma lista de cantores “sem voz”: Arnaldo Antunes, Fernanda Abreu, Keith Richards (que caiu do coqueiro ontem), Lou Reed, Paula Toler, Jimi Hendrix, Tom Jobim, quem mais?





