quinta-feira, junho 15, 2006
Corpo de Cristo
quarta-feira, junho 14, 2006
Não vou
terça-feira, junho 13, 2006
A nação em chuteiras

Começa a copa, no dia de Santo Antônio, do qual Zagalo, o pé-quente, é devoto. Anda com um santinho no bolso. Há quem se irrite com a copamania. Um dos argumentos mais usados é o do patriotismo barato, ou até nocivo, que sujeita a nação à manipulação do estado. Tendo a discordar. Aprendi, lendo notícias sobre escândalos, que a CBF é uma associação privada sem fins lucrativos, tipo de instituição hoje comumente chamada de ONG. Um clube de federações estaduais de futebol, por sua vez clubes de clubes de futebol, também associações sem fins lucrativos. Ou seja, toda a estrutura do futebol brasileiro é da iniciativa privada sem fins lucrativos. Clubes formados por amigos amantes do esporte amador, que o amor pelo esporte tornou gigantes, hoje um tanto descontrolados, vá lá. Ou seja, forçando um pouco a barra pode-se dizer que a nossa seleção tem origem remota em sonhos de garotos que organizaram seus times de bairro para jogar peladas nas várzeas. E essa ainda é a origem dos nossos gloriosos craques, milionários que jogam futebol como ninguém no mundo. Dá pra se perceber em cada garoto – e agora garotas também jogam – que joga ou jogou futebol a capilaridade da sustentação popular da seleção brasileira, que transcende manipulações de políticos e patrocinadores, e representa um pouco do que esta nação tem de melhor, nação no sentido humano de identidade cultural e étnica, e não na acepção do falido modelo do estado moderno. Por isso alterei a expressão rodrigueana do título.
Agradeço aos convites dos amigos mas vou ver esse jogo com a família na casa dos meus pais, alguns dos meus irmãos, espero que com filhos e sobrinhos presentes, e quem mais aparecer será muito bem vindo. A celebração das copas está na raiz mais funda da nossa formação.
segunda-feira, junho 12, 2006
Ainda remo
Depois da prova fomos conversar com os vencedores no tempo real, trazidos a segundo no tempo corrigido, uma dupla de um famoso clube carioca. Começamos a conversar sobre o praticamente inexistente circuito de remo master, e o homem da dupla – que também ganhou a prova de skiff master – disse meio sem graça que irá participar dos outgames em Montreal, em julho ou agosto deste ano, explicando que era uma olimpíada das minorias. Depois pesquisei e vi que são os gay games, ou pelo menos um racha da sua sétima edição. Ele não precisava ter feito isso, mas fiquei com a impressão que ele fez questão de declarar a sua opção sexual naquele ambiente presumidamente homofóbico, onde o humor cotidiano é feito basicamente à base de piadas preconceituosas. Foi tratado com todo o respeito mesmo depois da cerveja do churrasco de confraternização.
domingo, junho 11, 2006
Responsabilidade social
Que o altruísmo é um forma um pouco mais sofisticada de comportamento auto-interessado é mais ou menos óbvio. Ninguém é bonzinho por ser bonzinho, contrariando seus instintos animais egoístas, mas porque considera uma postura mais recompensadora. Trata-se de pensar a longo prazo, como investir tempo, dinheiro, energia, ou o que quer que se tenha para aplicar. Na nossa sociedade moderna às vezes o altruísmo fica tão longe da recompensa que são usadas metas abstratas anteriores para simulá-las, como medalhas, prêmios e outros tipos de homenagens, que podem ser ainda mais tênues e impalpáveis. Sábado fiquei duas horas no caixa de uma festa junina beneficente e ninguém me agradeceu. Não que eu esperasse agradecimento, quer dizer, quem iria me agradecer? Os beneficiados, credores de uma sociedade injusta na distribuição das oportunidades, que eu nem sei quem são?
sexta-feira, junho 09, 2006
Fogo de palha
Afora ventos e trovões, a direção é mais ou menos a mesma. Devo estar indo para algum lugar.
quinta-feira, junho 08, 2006
O profeta do deserto
quarta-feira, junho 07, 2006
Opositores
terça-feira, junho 06, 2006
Maratona
Hoje, na raia, o treinador me deu senão o melhor, um dos melhores barcos do clube pra eu treinar, cheio de dedos, recomendações, admoestações e ameaças pela integridade física da embarcação, verdadeira casquinha de ovo. O que eu vinha usando estava com sua arcaica estrutura literalmente desmontando. Foi demais.
segunda-feira, junho 05, 2006
Granola
sábado, junho 03, 2006
O filho predileto de Xangô

Foto tirada do site dele.
sexta-feira, junho 02, 2006
Chá ou café?

Há séculos, ou milênios, os filósofos discutem destino e escolha. Traçamos nosso próprio destino ou estamos a ele condenados, como o pobre Édipo, que quanto mais dele tentou fugir mais na sua direção correu. Existe uma escolha errada, ou existe só uma escolha possível, aquela que se toma? Ainda que se possa ouvir o futuro, as palavras da sibila são sempre entendidas errado. Não vou entrar nessa briga de cachorro grande. Mas assim como não acredito em vocação, aceito que há momentos em que várias escolhas certas são possíveis, e não há como errar.
Uma das sibilas da Capela Sixtina
quinta-feira, junho 01, 2006
Auto ajuda
quarta-feira, maio 31, 2006
Partidas dobradas
Esta matemática simples e cartesiana retrata fielmente a situação de uma universalidade com sentido econômico. Qualquer pessoa física ou imaterial pode apurar os seus deveres e haveres, ainda que este patrimônio esteja em constante mutação, e tirar um instantâneo deste conjunto dinâmico, o famoso balanço.
Do ponto de vista humano dá pra imaginar alguém alinhando lado a lado suas forças e fraquezas, abundâncias e carências, para constatar se esta universalidade dinâmica que é uma pessoa, na trajetória em que se encontra, é viável ou caminha para o desastre. Se viável, pode melhorar? Se caminha para o desastre, o que pode ser feito para evitá-lo?
Todo balanço tem algo de incerto, expectativas boas e más que podem ou não se confirmar, e a sua função é orientar a administração e fundamentar suas deliberações, dando referenciais de probabilidade. Nas companhias a sua confecção de acordo com certos princípios e regras, e a sua publicação, é forma de cumprir o dever de transparência com o mercado, especialmente investidores e credores. Ainda bem que os humanos podem – e talvez devam mesmo - guardar seus balanços pessoais para si próprios. Ia ser muito engraçado se a divulgação fosse obrigatória.
terça-feira, maio 30, 2006
Fazer o que?
Faltam dez dias para o dia 9 de junho, quando começa a Copa do Mundo, com Alemanha enfrentando a bela Costa Rica. Mal posso esperar. O Brasil estréia só no dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, contra a dura Croácia. 13 é o número de sorte do Zagalo, e ele anda justamente com uma imagem do santinho no bolso, de amuleto. Ninguém vai muito com a cara do Zagalo, mas como ele diz, a gente tem que enguli-lo. É o pagé do penta, o grande mistificador, o velho bruxo que assusta as criancinhas chacoalhando o seu maracá e entoando canções agourentas. Acho o velho Lobo um embuste, assim como o Felipão e o Leão. Acredito no Telê, Parreira e Luxemburgo, ainda que este último seja aparentemente um mau caráter.segunda-feira, maio 29, 2006
Andando em círculos
Nos arquivos deste blog, no dia de 22 de maio do ano passado, há uma menção a um certo evento aeronáutico no interior deste estado de São Paulo. Esse fim de semana estive lá de novo, e vi voar uma maravilhosa réplica do Demoiselle, do Santos Dumont. Suas asas de tela branca iluminadas contra o sol, no céu azul, ao som do ronronar do pequeno motor, compuseram uma visão e tanto, e fiquei pensando nas façanhas do rapaz em Paris. É um elegante ultraleve que voa perfeitamente bem. Vi também a esquadrilha da fumaça, que me fascinou quando estive lá há dois anos (o ano passado a esquadrilha não compareceu), mas que dessa vez não teve tanta graça, pela repetição. Vou a esse evento todo ano porque é próximo da casa de uns amigos, que freqüento há mais de vinte anos, onde sempre encontramos outros tantos amigos. Nossos filhos cresceram juntos e são bastante íntimos, apesar de não se verem com tanta freqüência. Depois, chegando a São Paulo, fui buscar minha filha que estuda no colégio que estudei, que vinha de uma viagem organizada pela escola que igual a eu fiz há uns trinta anos. Claro que deve haver forças identificadas por leis, como as newtonianas, amarrando todas essas trajetórias. Uma delas é certamente similar à inércia, ou seja, a ausência de forças.sexta-feira, maio 26, 2006
Marés
As marés são muito mais fáceis de entender do que as estações. Sempre a porção da Terra que está virada pra Lua está com a maré alta. E sua parte oposta também porque a Lua, ao atrair a face de mar que está na sua frente, estica, alonga, todo o oceano, formando uma maré alta do outro lado. Assim, a cada rotação da Terra, temos duas marés altas, e obviamente, duas baixas.quinta-feira, maio 25, 2006
A mão invisível e o seu calo
O plano era simples. Tratava-se de comprar o mais barato possível e vender pelo máximo que conseguisse os artigos que as pessoas que passavam por ali precisavam, queriam ou pudessem querer. A diferença entre as compras e vendas teria que cobrir as todas as despesas e possibilitar pelo menos a recompra do estoque, curva que seria aferida digamos, mês a mês. Ao final de um ano mediria os resultados, e planejaria o que fazer no ano seguinte. Crescer ou diminuir, enxugar custos ou investir, manter o rumo, mudar de direção ou diversificar. Um parceiro com quem pudesse trocar idéias seria muito conveniente. Os antigos do ramo diziam que o difícil era contentar o dono da rua, o insasciável Gargântua, e o seu filho mimado Pantagruel.terça-feira, maio 23, 2006
Não confunda inverno austral com inferno astral
Este ano o solstício de inverno, que varia entre o dia 21 e o dia 23 de junho no hemisfério sul, será às 9:27 horas do dia 21 de junho. É um dos dois pontos mais distantes da órbita da Terra em relação ao sol (posição 1 da figura do Inpe), e a noite mais longa do ano, tradicionalmente a véspera da noite de São João, 24 de junho. Aparentemente a variação da distância da Terra ao Sol proporcionada pelo formato elíptico da órbita não tem relevância na temperatura. Outra coisa me intriga na classificação das estações. O início do inverno, demarcado pelo solstício, salvo engano, é o dia tendente a ser o mais frio, por ser o ápice da órbita. Não consigo entender porque o inverno, a estação mais fria, não começa 45 dias antes do solstício e termina 45 dias depois, abrangendo todo o período mais frio do ano. Ou será que só após a noite mais longa é que os dias ficam mais frios? Não me parece muito lógico. Mas acho bacana a marcação astrofísica da festa pagã da noite de São João, que celebra o início do caminho de volta para os dias longos de verão. segunda-feira, maio 22, 2006
Uma questão gramática
sexta-feira, maio 19, 2006
Ísquios

quarta-feira, maio 17, 2006
Kung fu
segunda-feira, maio 15, 2006
Gás
Foto: EstadãoO sistema de aquecimento de água da minha casa é a gás, de passagem, alimentado por um grande bujão de 190 quilos, que é abastecido por um caminhão com uma mangueira. Era uma boa opção quando instalei em 1997, e agora deve ser uma das piores. O aquecedor é “computadorizado”, e a despeito das minhas fantasias do que isso podia significar quando comprei, nada mais é do que termostato digital. Essa gracinha funciona muito bem com um pressurizador, e garante banhos magníficos. Acontece que o tal aparelho tem um controle remoto ligado por um fio, que os instaladores se recusaram a passar pelo mesmo conduíte do cabo de força, o único que conduzia até a laje superior. O controle remoto ficou lá no telhado, junto com o aquecedor. Cada vez que falta energia, sou obrigado a subir no telhado e “reprogramar” o termostato, que volta para o zero. Pra subir na laje superior, há uma escada “de marinheiro”, que sai de um terracinho do piso superior, chumbada na parede. Quando mudei minhas filhas eram pequenas, e eu fiquei com medo que elas se aventurassem no telhado. Cortei a escadinha, que ficou com o primeiro degrau a um pouco mais de um metro do chão. Por conta dessas falhas, volta e meia subo no telhado, o que é um pouco trabalhoso, mas não é uma experiência de todo má. Às vezes está frio, ou chovendo, ou estou dormindo, de pijama, e tenho que subir, apertar os botõezinhos, pi-pi-pi-pi-pi-pi, e o aparelho volta a funcionar. É forçado, mas é razoavelmente esporádico, e assim acaba sendo legal. Gosto de subir no telhado, e jamais subiria não fosse esta característica da casa. Não é nenhum alpinismo, mas é um ponto de vista aéreo da redondeza, uma sensação muito agradável, com o friozinho na barriga das beiradas a uns sete metros de altura. Se eu vestisse uma máscara de esqui, um pijama laranja, pegasse o facão do jardineiro e um celular, me sentiria o próprio presidiário amotinado. Na vida real, a altura seria maior e o frio na barriga também, pois envolveria risco de ser morto, e causar muitas mortes. Na pele de um dirigente de uma organização criminosa, haveria a sensação de poder de estar orquestrando uma rebelião de dimensões estaduais, em comunicação com outros líderes, cada um no telhado de um outro presídio cercado pelas forças mais letais da polícia, contidas apenas pela vida sem valor de alguns reféns. Uma causa tão sem razão como tantas outras. Eu no telhado estaria dando telefonemas muito menos interessantes. Mesmo assim, acho que a próxima vez que faltar energia, vou subir lá com um celular.
PCC
Deve ser por causa do meu processo de emburrecimento iniciado no carnaval, que está quase completo. Passei o fim de semana dormindo e vendo tv, depois de longas sessões matinais de esporte.
quinta-feira, maio 11, 2006
Skiff
Assisti ontem “O sol de cada manhã” ou “The weather man” com o Nicolas Cage. Ele tem quase a minha idade, e o primeiro filme que me lembro com ele foi o “Rumble fish”, do seu tio Francis Ford. Tenho a impressão que nesses vinte anos já vi tantos filmes com ele, que quase não consigo mais ver o personagem. Ainda que ele mude o cabelo, e tente disfarçar, está lá sempre o ator, com sua feição familiar e sua voz inconfundível, seja um soldado italiano, um imigrante polonês, ou o homem do tempo. O filme é bom, e tem componentes que facilitam a identificação de gente da nossa idade, minha e do Cage. No meu caso foi pior, pois o pai dele é o Michael Caine, com quem o meu pai é bastante parecido. O assunto é a dificuldade de se aceitar, depois que as infinitas possibilidades da juventude foram embora, e somos o que somos. Fora o fardo de erros e bobagens.Estou remando agora o single skiff. Tem 8,40 metros de comprimento e 36 centímetros de largura. É bastante instável, o que demanda concentração permanente. É muito gostoso. Aliás, o Nicolas Cage fez em 86 um filme sobre Ned Hanlan (“The boy in blue”), um remador de skiff (ou scull, como dizem por aí) canadense do século XIX, que foi uma estrela do esporte no seu tempo. Morava numa ilha, e o acesso era por remo. Quando atingiu o ápice da carreira, a regata mais famosa era uma em Londres, com mil libras de prêmio. Dizem que no meio ele parou, acenou para a platéia, tomou água, deixou os concorrentes passarem e ganhou a prova. Ainda não consegui ver este filme.
quarta-feira, maio 10, 2006
Vergonha é roubar e não conseguir carregar

terça-feira, maio 09, 2006
Riviera?

Domingo fui surfar na Riviera de São Lourenço. Nunca tinha ido lá. Um amigo sugeriu, porque a praia tem um grande ponta com um morro projetada para o oceano oferecendo uma certa proteção ao vento sul, que estava um tanto forte e deixando o mar mexido. Deu certo. O canto sul da praia realmente estava com uma formação razoável, em comparação com a parte mais exposta ao vento. É uma praiona grande, de uns quatro a cinco quilômetros, meio sem graça, aquele jeitão Bertioga. A urbanização é pouco atraente. Avenidas de bloquete (aqueles hexágonos de concreto) um tanto irregulares, arborizadas com palmeiras, setores de prédios de oito andares azulejados, e casas, muitas bizarras. Não tem cara de cidade, mas de empreendimento imobiliário. Todos pareciam haoles ali, o que não é mau.
quinta-feira, maio 04, 2006
Uma lágrima

Ontem ouvi na rádio Eldorado o programículo do Nelson Mota. A novidade era a versão do Pato Fu da música do Odair José “Uma lágrima”, contida num disco homenagem de vários artistas não-bregas, chamado “Vou tirar você desse lugar – Tributo a Odair José” (tem na íntegra na radio UOL, ainda não ouvi), que é realmente uma joinha. A Fernanda Takai é uma dessas cantoras ditas “sem voz”. Adoro os cantores “sem voz” e acho esse tipo de crítica detestável, de gente que aprecia o abominável e desumano belcanto, que fica mais abominável ainda quando retirado do seu contexto erudito – se bem que pra mim ópera seja um breguice popular que só se tornou erudita por ser coisa de museu – e enxertado na música popular. Uma lista de cantores “sem voz”: Arnaldo Antunes, Fernanda Abreu, Keith Richards (que caiu do coqueiro ontem), Lou Reed, Paula Toler, Jimi Hendrix, Tom Jobim, quem mais?
quarta-feira, maio 03, 2006
terça-feira, maio 02, 2006
VTNCDB
sexta-feira, abril 28, 2006
Guaíba
quarta-feira, abril 26, 2006
Rei do terreiro
terça-feira, abril 25, 2006
Kong

Vi ontem o longo King Kong e gostei muito. Achei o personagem cineasta do Jack Black, pra mim inspirado no Orson Welles, um pouco histriônico. As longas seqüências de perseguições de monstros também me aborreceram, apesar de muito bem feitas. Mas é uma linda fábula e está muito bem contada. A exploração comercial da tensão entre a beleza e o desejo. A dificuldade da contenção do instinto animal que habita em nós, quando provocado pela visão da beleza. A luta entre o social civilizado e o indivíduo bestial, e como o bem e o mal, o útil e o nocivo, o inocente e o perverso atuam misturados nas duas pontas. A Naomi Watts está excelente como pureza estereotipada. Lamentei não ter visto no cinema.
segunda-feira, abril 24, 2006
Assento ejetável
quinta-feira, abril 20, 2006
Abundância
quarta-feira, abril 19, 2006
segunda-feira, abril 17, 2006
Dogtown
quarta-feira, abril 12, 2006
Aleluia
terça-feira, abril 11, 2006
Valores
segunda-feira, abril 10, 2006
Perfume de mulher 2
sábado, abril 08, 2006
One of us

sexta-feira, abril 07, 2006
Enquanto o Gilberto Vil briga com o Hélio Bosta...
quinta-feira, abril 06, 2006
Comissão de frente - Salvação 4

É aí que entra a comissão de frente. Abre o desfile, apresenta a escola, e saúda o respeitável público. Os arautos das novidades, os verdadeiros contemporâneos, os que olham pra frente, e anunciam as curvas da estrada que vai a lugar nenhum. As mudanças são lentas e vacilantes, um pra trás, dois pra frente, assim caminha a humanidade, diz o filósofo Lulu Santos, com passo de formiga e sem vontade. Enquanto na Europa as fronteiras caem, muros vergonhosos se constroem entre Israel e a Palestina, e os Estados Unidos falam em erguer um na fronteira com o México. Não haverá um comissário de frente capaz de sustentar que o controle de trânsito de pessoas nas fronteiras ofende os direitos humanos garantidos pelas constituições de todos os países do mundo civilizado? A declaração de direitos humanos da ONU, cujos princípios estão incorporados às constituições de todos os seus membros, no seu artigo XIII, diz que todo homem tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado, e que todo homem tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar. Aí está a restrição odiosa. Curiosamente, existe o direito de sair, e não o direito de entrar. A soberania do estado, supostamente em benefício da coletividade, suplanta o direito individual. Apesar de todos os países membros garantirem a presunção de inocência, e a igualdade de todos, inclusive o estrangeiro, perante a lei, no momento do ingresso em outro país se julga conveniente suspender a boa-fé que unge o cidadão para tratá-lo como um criminoso. É a hora de revistá-lo, interrogá-lo sobre os seus propósitos, e perquirir os meios de subsistência em sua permanência. Se aprovado, recebe um visto de acordo com suas possibilidades. E depois que passa a roleta readquire todo o status de cidadão, tal qual o natural. Mas o mais misterioso dos artigos da declaração é o XXII: “Todo homem, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à realização pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.” Pra mim, isso só pode significar uma coisa: o estado inglês, francês, ou norte-americano é tão responsável pela dignidade do cidadão etíope como o estado etíope.
quarta-feira, abril 05, 2006
A salvação do mundo parte 3
terça-feira, abril 04, 2006
Ainda a salvação
segunda-feira, abril 03, 2006
Continua

sábado, abril 01, 2006
Me dê motivo
quinta-feira, março 30, 2006
Luvas?

Essa foto é da edição do ano passado, a 151ª, da mais tradicional regata do mundo, conhecida como “the boat race”, travada entre as universidades de Oxford e Cambridge, e assim como o Flaflu é apelidada de Oxbridge. A corrida é disputada no Tamisa e é muito popular, como pode se ver da maçaroca de gente assistindo. É bem, longa, 6.779 metros, bem maior que as provas olímpicas, de dois quilômetros. São remadores peso-pesado, de mais de 1,90 e cerca de 100 quilinhos. E a conta é de 600 remadas. Teremos a próxima no dia 2 de abril. Mas o importante é que, como se vê, nenhum deles usa luvas. O voga que está com o punho do remo azul, pode ter passado o turn-a-grip das raquetes de tênis. Os outros, será que usam Salompas?
Etelvina, acertei no milhar...
terça-feira, março 28, 2006
Show me the money
segunda-feira, março 27, 2006
Gripe portuguesa
sexta-feira, março 24, 2006
Mora na filosofia
Tudo começou com o “Julie is her name”. Julie London, a atriz loira gostosa atriz desempregada que ia matar o tempo cantando nos botecos de Hollywood, acompanhada de uma guitarra e um contrabaixo. A voz de contralto quase sussurrada, de afinação e ritmo impecável, e a expressão simpática e risonha (sim, é fácil perceber quando quem canta está sorrindo). Um produtor viu, se apaixonou, casou com a moça e produziu o LP, logo no começo do som estéreo, com um dos melhores guitarristas da praça, contrabaixo idem. Encomendou uma composição especialmente para ela, que veio a ser nada menos do que “Cry me a river”. Sucesso total, logo veio o “Julie is her name 2”, igualmente magnífico.
Um trompetista caipira, de nome Chet Baker, que estava começando a bombar na costa leste, e gostava de cantar, ouviu e imitou. Gravou um disco com a mesma formação, alternando trompete com o vocal, e algumas das mesmas canções. É o “Embraceable you”, igualmente genial, ainda que o som da guitarra, e a qualidade da gravação não chegue no dedinho do pé dos da Julie.

Fumantes ou não fumantes?
quinta-feira, março 23, 2006
Chulé
Na tal foto tirada com o Dudi que está no Frankamente e no Carne Crua, dá pra ver no dorso da minha mão uma mancha escura ovalada. Como vocês sabem, tenho praticado remo. O ano passado não usava nenhum tipo de proteção para as mãos, e fiquei com calos por toda a palma e na face interna dos dedos. Quando saí de férias, fiquei duas semanas sem remar e os calos sumiram. Ao voltar, percebi que arrebentaria toda a mão, e comecei a usar uma luva de musculação de neoprene, a primeira coisa que encontrei. Ela tem um fecho de velcro, que deixa um vazio ovalado no dorso da mão, o que produziu a tal mancha. Embora eu reme mais ou menos cedo durante a semana, a repetição e o sol forte dos sábados e domingos deixaram a marca. Mas o pior não é isso. Suo uma monstruosidade quando remo, e fico literalmente encharcado. Boa parte desse suor escorre pelos braços e vai se alojar no neoprene, que é uma esponja. Todo o dia eu lavo a luva, mas não adianta, essa convivência com o suor deixou a luva com chulé, que passou para a mão. E por mais que eu lave a mão, o cheiro não sai mais. Minha mão agora tem chulé. Vai encarar?quarta-feira, março 22, 2006
Qual é o animal que pensa que já não vale mais?

segunda-feira, março 20, 2006
Nelson Freire
sábado, março 18, 2006
Diminutivos
O four
O four skiff é um barco de 13,40 metros, movimentado por quatro remadores com dois remos cada um, que pesa um pouco mais de cinquenta quilos. Comecei a treinar em um hoje, na posição do proa. Sou o responsável pela direção do barco. O ritmo é ditado pelo voga, que é o que vai mais a ré, e é a posição mais importante. Fazendo mais força à bombordo (direita de quem da proa olha a ré), ou boreste, corrige-se o rumo do barco. Mas também há um pequeno leme que comando através de um sistema de arames com meu pé direito, com curso mais ou menos de uns dez graus para cada lado. É claro que a resposta é lenta. São barcos feitos para navegar em linha reta, estreitos e compridos. O remo é um esporte de um só movimento repetitivo, que utiliza todo o corpo. O controle desse movimento demanda bastante concentração, pois há várias possibilidades de erro. Sentado num banco móvel, um carrinho sobre trilhos, leva-se o corpo à frente até flexionar completamente os joelhos. Ao mesmo tempo, o punho dos remos parte de uma posição em que estão unidos, punho sobre punho, braços esticados, e conforme se vai à frente os punhos vão descrevendo dois arcos que se afastam, e quando se chega à posição em que os joelhos estão completamente flexionados os braços estão o mais afastados possível. Encaixa-se as pás na água, e com os braços esticados, estica-se as pernas. Quando as pernas estão completamente esticadas, acaba o curso do carrinho e aí flexiona-se os braços, chegando os punhos até o peito, e a remada se completa. Ato contínuo, abaixa-se os punhos levantando-se as pás da aguá e estica-se rapidamente os braços, ao mesmo tempo em que quebra-se as munhecas, deixando-se as pás na posição horizontal para reduzir a resistência do ar, e assim retorna-se à posição original e completa-se o movimento. Quanto mais precisão, menos desperdício de energia, mais equilíbrio e velocidade. Qualquer erro na altura dos punhos, por pequeno que seja, inclina o barco e um atrapalha todos. Um barco que balança deixa as costas em pandarecos. Encaixar o controle do leme com o pé nessa rotina, pra mim, que nunca tinha usado um, não foi nada fácil. Dá aquela sensação de estar no banco do carona apertando os pés contra o assoalho para dirigir o carro. Ou mover o corpo ao jogar videogame para interferir na trajetória do carrinho do supermário. Errei bastante, e toda vez que o técnico vinha com seu motor de popa e megafone atrás de nós, era comigo que ele gritava. Mas em alguns momentos tudo se encaixava e estar na proa, vendo os oito remos sincronizados, dava a sensação de ser uma lacraia andando sobre as águas.sexta-feira, março 17, 2006
Disfarça
quarta-feira, março 15, 2006
Hino do blogueiro
Everyday I Write the Book
Don't tell me you don't know what love is
When you're old enough to know better
When you find strange hands in your sweater
When your dreamboat turns out to be a footnote
I'm a man with a mission in two or three editions
[Chorus:]
And I'm giving you a longing look
Everyday, everyday, everyday I write the book
Chapter One we didn't really get along
Chapter Two I think I fell in love with you
You said you'd stand by me in the middle of Chapter Three
But you were up to your old tricks in Chapters Four, Five and Six
[chorus]
The way you walk
The way you talk, and try to kiss me, and laughIn four or five paragraphs
All your compliments and your cutting remarks
Are captured here in my quotation marks
[chorus]
Don't tell me you don't know the difference
Between a lover and a fighter
With my pen and my electric typewriter
Even in a perfect world where everyone was equal
I'd still own the film rights and be working on the sequel
[chorus]
terça-feira, março 14, 2006
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
segunda-feira, março 13, 2006
Me Tarzan, you Jane

sexta-feira, março 10, 2006
quinta-feira, março 09, 2006
Ops, foi ontem?
quarta-feira, março 08, 2006
Faca se vende
Jaime Caetano Braum
Cabo de madeira branca
E a folha de palmo e meio,
Esta faca que palmeio
Sovando uma palha buena
Larga, assim como novena
Nas festanças do Divino
Foi presente do Galdino
Filho de Dona Pequena!
Na prancha meio azulada
Deste regalo campeiro
Está gravado um coqueiro
Assim como um distintivo
Que me faz lembrar, altivo,
O charrua melenudo.
Bombeando longe, sisudo,
O velho solo nativo!
É nesse ferro crioulo
Que o meu fôlego embacia,
A cancha reta bravia
Por onde o fumo se espalha,
Com ele eu ajeito a palha,
Longueio, e, aparo crina,
E a barba, pra ver a china
Quando não tenho navalha!
Quando corto meu churrasco
Deixo branqueando o espeto,
E se na encrenca dos meio
Não sobre garrafa inteiro
Pois este ferro campeiro
De ponta como de prancha
Tem mania de abrir cancha
No costilhar do parceiro!
Por isso é que ao te palmear,
Sovando a palha de milho
Eu sinto, ó rude utensílio
Que muito primeiro que eu
O guasca já te benzeu
Quando num berro de touro,
Junto ao "bendito"de couro
Nalgum rival te embebeu!
E ao te arrancar da bainha
De ponteira reforçada
Evoco a rudez passada,
De teu áspero trajeto
Quando o xiru analfabeto
Contigo de companheira
Nas andanças da fronteira
Lonqueava o nosso dialeto!
Traste mil vezes relíquia
Por ser presente de amigo:
Hei de levar-te comigo
Sempre ao alcance do braço
E acolherar no teu aço
O presente e o passado
Até que pranche enredado
Por algum "seio de laço"!
E fica certo, Galdino
Ao te agradecer de novo,
Que no singelo retovo
Do meu gauderiar sem norte
Esta faca enquanto corte,
Até os últimos momentos,
Há de estar lonqueando os tento
Da nossa amizade forte!
(Cortes, J. C. Paixão. "Gaúchos de faca na bota ".)
Galdino, te devo uma moeda.
terça-feira, março 07, 2006
Oxímoro
domingo, março 05, 2006
Soneto CXVI
Mudou alguma coisa? Mudou. Hoje, golpes do destino criam novos poderosos e novas fortunas todos os dias. O nosso presidente operário que o diga. Desde que me conheço por gente, em grandes pinceladas, vi uma nova elite ser criada na ditadura militar, com as grandes empreiteiras, mineradoras, e associações com mutinacionais; outra no reinado de Fernando Henrique, com as privatizações e a reestruturação do sistema financeiro; e agora outra tentativa ainda não consolidada, com um pouco menos de elegância, no governo Lula, que certamente se completará em um segundo mandato. É a velha história. A criação de uma fortuna é sempre um pouco mal-cheirosa, salvo raras exceções, e o odor vai passando com o tempo, até se tornar dinheiro velho e respeitável, atrelado a boa cultura e boas maneiras, o que acontece cada vez mais rápido, devido à facilidade de acesso à informação. E o criativo revolucionário enriquecido se torna um empedernido conservador.
E como se transcende a roda da vida, a prisão material identificada pelos budistas? Se ausentando do mundo? E aí está a segunda lição revolucionária de Jane Austen: o amor, como também apontam Saramago, Nelson Rodrigues, Vinicius, e tantos outros. É a grande referência de orientação do homem civilizado, a estrela que orienta a navegação através da existência, como no Soneto CXVI de Shakespeare, declamado em dueto por dois personagens de “Razão e sensibilidade”, os mais sem razão, e cheios de sensibilidade:
Let me not to the marriage of true minds
admit impediments: love is not love
wich alters when it alteration finds
or bends with the remover to remove
O, no, its an ever-fixed mark
that looks on tempests and is never shaken;
it is the star to every wand’ring bark,
whose worth’s unknown, although his height be taken.
Love’s not Time’s fool; though rosy lips and cheeks
within his bending sickle’s compass come,
Love alters not with his brief hours and weeks,
but bears it out even to the edge of doom.
If this be error and upon me proved,
I never writ, nor man ever loved.
sábado, março 04, 2006
Corte sincronizado
sexta-feira, março 03, 2006
Weeds
quinta-feira, março 02, 2006
Lost in translation
Antes de vir para o Brasil com a família, esta inglesa exerceu por algum tempo sua profissão em Portugal, o que a nossa burocracia não permitiu que fizesse aqui. E aconteceu que calhou dela sair, numa espécie de encontro arranjado, com um famoso piloto de corrida. No dia seguinte, o escritório em peso a esperava pra saber como decorrera o programa. E ela singelamente disse que o jantar tinha sido muito agradável, o tal piloto muito gentil, e até havia lhe dado um broche. E estranhou quando todos, secamente, viraram as costas e voltaram ao trabalho, sem dizer nada. Uma que era mais sua amiga, chegou perto e pediu esclarecimentos: “Mas como assim, um broche?” E a professora mostrou um “pin” da escuderia. Imediatamente a amiga bradou a todos: “Pessoal, está tudo bem, ele deu um pino a ela!”. E caiu na gargalhada. Depois explicou que em Portugal “dar um broche” é a outra metade do “69”.
quarta-feira, março 01, 2006
Praejudicium

Mantenho o meu pré-julgamento. É uma obra conformista, que a despeito da crítica individual aos personagens, quase todos, nada encontra de errado na forma como a sociedade em que se ambienta a história está estruturada. Orgulho e preconceito são defeitos individuais, e não mazelas sociais, na visão da autora. E a redenção das heroínas se dá através do reconhecimento pelos superiores de suas qualidades individuais, que as levam a casar com ricos, em clássico final feliz. Mas critica-se o gênero humano e para um romance, está mais do que suficiente.
O senso de humor do Mr. Bennet é excelente, invertendo sempre o sentido de suas ponderações, o que Elizabeth sempre entende e corresponde. As sutilezas dos diálogos e das análises das situações são de grande precisão e refinamento. E o enredo, baseado em grandes erros de avaliação causados por julgamentos precipitados, principalmente por parte da personagem central, Elizabeth, surpreende e prende a atenção, ao mesmo tempo que dá grande amplitude aos personagens, ao permitir leituras complexas e contraditórias. Depois de ler o livro, o filme cresceu muito aos meus olhos.





